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sexta-feira, 9 de abril de 2010

INEM abre polémica sobre 'helis' de apoio (Aguiar da Beira)

Declarações do presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica sobre meios aéreos redundantes em três concelhos levaram a reacção violenta de autarcas. O Ministério da Saúde já veio tentar pôr água na fervura.
O ministério da Saúde garantiu, logo depois, que a decisão final sobre a necessidade de novos helicópteros de emergência "terá em conta os compromissos já assumidos".
A polémica estalou quando o presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) afirmou que três helicópteros, previstos para Ourique, Macedo de Cavaleiros e Aguiar da Beira, poderiam ser desnecessários, de acordo com um estudo de sustentabilidade financeira do organismo. A necessidade de novos meios aéreos "tinha a ver com alguns encerramentos de urgências médico-cirúrgicas que não foram efectivadas", afirmou Abílio Gomes em entrevista à Antena 1.
O autarca de Macedo de Cavaleiros insurgiu-se contra as declarações e afirmou que se os meios prometidos não forem disponibilizados é melhor anular os protocolos assinados e repor os serviços retirados. E acrescentou que por o ministro da Saúde e o presidente do INEM terem sido substituídos "não pode haver uma alteração do que já foi viabilizado, e assinado".
"Estou perfeitamente desapontado, desiludido e surpreendido com as declarações", afirmou também o munícipe de Ourique. O autarca socialista garante ter recebido, na semana passada, garantias da Administração Regional de Saúde de Setúbal de que os três novos helicópteros estavam para adjudicação.
O presidente da Câmara de Aguiar da Beira mostrou-se "despreocupado" porque o helicóptero estava previsto para o caso de encerramento do Serviço de Atendimento Permanente. "Este continua aberto 24 horas por dia e, enquanto assim for, está tudo bem", disse o autarca social-democrata à agência Lusa.
O ministério garante ainda estar a analisar a proposta do INEM.
O presidente do INEM defendeu, também, a criação de uma carreira profissional, semelhante à dos paramédicos, como forma de combater a falta de meios humanos. "Criar uma carreira que valorize a intervenção dos actuais tripulantes das ambulâncias de socorro e de emergência. Valorizá-los até que pudessem ter capacidade de actuação semelhante à dos paramédicos", justificou.
A sugestão já está a gerar discórdia. A Associação de Medicina de Emergência aplaude e considera que essa medida só "pecaria por tardia". Também o Sindicato dos Técnicos de Ambulâncias de Emergência vê "com bastante agrado" que seja seguido um caminho já tomado nos EUA, Inglaterra e, em breve, em Espanha.
Pelo contrário, o bastonário da Ordem dos Médicos tem dúvidas "que valha a pena criar uma nova carreira profissional sem a garantia de dar a esses jovens uma profissão para a vida". A Ordem dos Enfermeiros vai mais longe, considerando "profundamente preocupante" que se baseie essa possibilidade "em critérios economicistas". Contactado pelo JN, o ministério não quis pronunciar-se a este respeito.

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